quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Desalmado

O que implica abdicar de mim? Não de parte, mas do todo?
O que significa perder referências e pontos cardeais?
O que significa perder-me, esquecer-me, deixar de ser ou de saber quem sou?
Onde me leva? Como posso chegar, caminhar, se nem sei se parto?



Não penses que estou chateado...
Nada disso!
Nem desiludido nem revolto nem irado.

Estou só assim, triste, pequeno, desamparado,
Nem raivoso nem frustrado.

Estou como um barco naufragado:
Frio, escuro, desnorteado,
Com a bússola e o leme deslocado.

Nem furioso nem zangado.

Não me julgues assustado,
Receoso, escondido, apavorado.
Não! Nada disso!
Quando muito, indeciso.
Quieto, à espera, imóvel, des-cafeinado.

Sinto-me só assim,
Expectante, incerto, inseguro, inconsolado.

E não me julgues louco!
Nem demente nem ébrio nem alucinado.
Estou só confuso, sem mapa, nu, encruzilhado...

Não sabes como me sinto!
Pequeno, nulo, abandonado.

Nem perdido nem achado,
Nem contente nem entristado.

Sinto-me só assim,
Sozinho, só... desalmado.

2008-12-10

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